Editorial

A violência que precisa parar

A violência é um problema social gravíssimo e que depende de inúmeras ações para ser de fato coibido. Um ponto é fundamental nesta discussão: reconhecer a existência do problema.

É simbólico o número trazido por reportagem publicada na edição de ontem do Correio do Povo de que mais de 2,6 mil mulheres solicitaram medidas protetivas de forma on-line no Rio Grande do Sul nos últimos três meses. A maior facilidade de acesso ao serviço é uma das respostas ao aumento de casos de feminicídios e agressões às mulheres. A ferramenta foi lançada no Estado por meio da Polícia Civil, após o trágico feriado da Páscoa, quando dez mulheres perderam a vida. Nos últimos dois anos, o RS lidera o ranking dos estados em número de vítimas de feminicídios com medida protetiva de urgência ativa. Mesmo assim, denunciar é um caminho importante para dar a dimensão do real do problema social que o país enfrenta. Não trata-se de números, mas das vidas de mulheres que são ceifadas de maneira brutal.

Por exemplo, no Rio Grande do Sul, a 37ª vítima de feminicídio foi uma jovem de 21 anos, assassinada com 127 facadas. Também não podemos ignorar a violência sofrida por uma jovem dentro de um elevador, em Natal no Rio Grande do Norte. Ela foi desfigurada após receber mais de 60 socos do namorado. As imagens das câmeras de segurança do sistema interno são avassaladoras.

A violência é um problema social gravíssimo e que depende de inúmeras ações para ser de fato coibido. Um ponto é fundamental nesta discussão: reconhecer a existência do problema. O outro é agir. Apenas o registro da medida protetiva não é suficiente. Ele ajuda a quebrar a barreira social que impede, muitas vezes, a vítima de fazer uma denúncia. É um número que deve ser utilizado pelas autoridades para o desenvolvimento de políticas públicas que possam garantir o suporte necessário para romper com ciclos de violência dentro dos lares. Ou ainda ampliar as ações que envolvem os homens para a conscientização sobre o tema. A questão é que a sociedade não pode se calar ou ignorar uma discussão que está escancarada.