O contingente dos chamados moradores de rua no país vem aumentando gradativamente e representa um desafio para os entes federados, União, estados e municípios, bem como para a sociedade como um todo. De acordo com dados divulgados durante o lançamento da 37ª edição da série do Caderno de Estudos desenvolvida pelo Ministério Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o montante, que era de 116.799 pessoas em 2018, conforme registros do Cadastro Único (CadÚnico), passou para 308.277 no levantamento mais recente. De acordo com os estudiosos da questão, esse incremento se deu de forma exponencial e esse panorama deve servir de alerta para os órgãos e entidades envolvidos com essa questão tão sensível.
O princípio da dignidade humana está insculpido em nossa Constituição federal, bem como a meta da erradicação da pobreza. Isso mostra que nossa democracia se assenta em bases nas quais o exercício da cidadania é um ponto basilar de sua estruturação. Trata-se de uma norma programática que deve encontrar concretude e efetivação no cotidiano, com políticas públicas que permitam a esses brasileiros e brasileiras suporte para inclusão e consequente melhoria de sua difícil condição de vida, estando todos sujeitos a perigos envolvendo agressões e risco de vida. Em geral, se diz que são um segmento quase invisível para a coletividade, que nem sempre está apta a compreender as razões por que tais indivíduos foram levados a uma situação tão sofrível e adversa. O primeiro ponto para romper com essa invisibilidade implica colocar essa população no orçamento, realizando aportes que possam lhes dar um mínimo de bem-estar enquanto se busca uma solução mais abrangente.
O levantamento mostra uma heterogeneidade desse público, com mulheres, idosos, PCDs, crianças e adolescentes, entre outros, expostos a diferentes níveis de vulnerabilidade. O Brasil, como nação civilizada, precisa enfrentar esse problema, que não é apenas nacional, e avançar no rumo de mais igualdade social.