Editorial

Alerta sobre as barragens do país

Desde as calamidades de Mariana e de Brumadinho, a coletividade cobra do poder público e das empresas envolvidas planos e ações de prevenção. Infelizmente, parece que muito pouco vem sendo feito nesse sentido.

Estão muito presentes na memória da população brasileira as tragédias ocorridas com as barragens de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, em 2019, ambas em Minas Gerais. Em Mariana, o rompimento da barragem de Fundão ocasionou a morte de 19 pessoas e despejou milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério, poluindo o Rio Doce e causando danos ambientais extensos. Já em Brumadinho, o extravasamento da barragem da mina do Córrego do Feijão resultou na morte de 272 pessoas em um dos maiores desastres industriais da história do país, com impactos ambientais gravosos e degradantes.

Desde essas calamidades, a coletividade cobra do poder público e das empresas envolvidas planos e ações de prevenção. Infelizmente, parece que muito pouco vem sendo feito nesse sentido. Essa realidade preocupante acaba de ser confirmada em sua essência por um levantamento realizado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Trata-se do Relatório de Segurança de Barragens (RSB), o qual aponta que o país tem atualmente 241 barragens com riscos de segurança. O mapeamento trouxe alertas sobre a gestão temerária dessas represas. Responsáveis por esses empreendimentos, segundo a análise, deixaram de cumprir os requisitos importantes exigidos na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). No estudo, foram reportados 24 acidentes e 45 incidentes com barragens no Brasil em 2024, com verificação de dois óbitos e prejuízos variados, incluindo destruição de vias públicas, rompimento de pontes, danos a residências, desaparecimento de animais, interdição de estradas e vias e perdas ambientais. O RS, que sofreu em demasia com as enchentes de 2024, registrou ao menos 21 incidentes e três acidentes com barragens.

Ao todo, são quase 30 mil barragens para serem fiscalizadas em todo o território nacional. A população espera que as autoridades façam a sua parte e ajam antes que algum novo sinistro ocorra. Não há tempo a perder diante de perigos tão iminentes e sabidamente de reparação quase impossível.