O escritor Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura, comentou certa vez que a coisa mais importante que lhe aconteceu na vida foi aprender a ler. Sem dúvida, esse é um diferencial na vida de qualquer pessoa, porque lhe permite compreender melhor o seu entorno e lutar por uma vida mais digna, exercendo sua cidadania e participando com maior autonomia da vida pública do país. A leitura e a alfabetização constituem pilares necessários para construir uma sociedade mais justa e menos desigual.
Na época imperial, cerca de 90% da população era analfabeta. Desde lá, a nação luta contra esse legado de atraso e busca reverter números adversos. Ao longo do tempo, muito foi feito e muito ainda constitui um desafio de grandes proporções. Num universo de 211 milhões de habitantes, temos mais de 6 milhões de analfabetos literais e mais de 60 milhões de analfabetos funcionais, que são aqueles incapazes de compreender textos curtos ou realizar operações básicas da matemática. Um exemplo pode ser encontrado na inadimplência da meta 9 do Programa Nacional de Educação (PNE), lançado em 2014 para vigorar por uma década. O objetivo traçado de redução dessa chaga social não foi alcançado. Dessa forma, resta atual essa demanda, que já está sendo reordenada para constar no novo PNE que está sendo debatido no Congresso Nacional.
Para apontar no rumo de um incremento real nessa questão ora debatida, urge que os programas governamentais específicos, como a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o Brasil Alfabetizado, sejam efetivamente aplicados nas esferas federal, estadual e municipal, bem como haja incentivos variados para eventos culturais, a exemplo das feiras de livros, tanto na Capital como no Interior. O livro precisa estar entre as opções dos alunos e de suas famílias, servindo de elo para um mundo em que a informação idônea circule com naturalidade. A leitura abre portas para todos e a interpretação de texto secunda o senso crítico e avaliza a opinião independente de quem se expressa com a veracidade que nosso tempo requer.