A fome é a mais degradante das privações humanas, é um atentado à vida, uma agressão à liberdade disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento, no Rio de Janeiro, da Aliança contra a Fome e a Pobreza ao convocar os governos mundiais a agirem em união e adotarem definitivamente soluções duradouras contra a fome, flagelo que considera inaceitável no mundo moderno. O novo programa será lançado oficialmente em novembro como uma prioridade da presidência brasileira do grupo das 20 maiores economias do planeta, o G20, cujos ministros das Finanças reuniram-se, nesta semana, no Rio.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou relatório afirmando que a fome no mundo afetou diretamente no ano passado, 733 milhões de pessoas, mais de 9% da população do planeta em consequência de guerras, dificuldades econômicas e mudanças no clima. Em mensagem de vídeo exibida durante a apresentação aos ministros das Finanças, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou as palavras do presidente brasileiro afirmando que “a fome não tem lugar no século XX. Um mundo com fome zero não é apenas necessário, e com ações financeiras é alcançável.”
A erradicação da pobreza extrema e a fome até 2030 faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) adotados pelos estados-membros da ONU em 2015. O programa lançado no Brasil buscará recursos financeiros comuns para combater a fome e replicar iniciativas que funcionem em nível local. Os ministros do G20 também vão tentar avançar, com a anuência do presidente Lula, na ideia de uma taxação dos “super ricos”, outra prioridade do Brasil, que está ocupando a presidência do G20 até a cúpula de chefes de Estado e governo em novembro. Esta prioridade tem a oposição dos EUA, mas o apoio da França, Espanha, África do Sul, Colômbia e União Africana. O Brasil, segundo Lula, insiste no tema da cooperação internacional para desenvolver padrões mínimos de tributação global, incluindo os bilionários.