A volta às aulas na rede estadual de 2025, que está indefinida neste momento em função de uma decisão judicial diante da intensa onda de calor que marcará esse início de semana no RS, será marcada pela reconstrução, mas também estará recheada por novos desafios. Nove meses após a histórica enchente de 2024, que alagou, destruiu ou impactou de diferentes formas, a rede estadual está em processo de reconstrução. Segundo a secretaria estadual de Educação, dez instituições de ensino ainda funcionam fora do local de origem. É um número pequeno, perto do universo total, uma vez que mais de 600 foram prejudicadas. Porém, a questão da infraestrutura é um desafio permanente das escolas e dos governantes. As necessidades são sempre muitas, a velocidade nem sempre é a adequada e os recursos são limitados.
Mesmo assim, para além dos espaços físicos, é preciso levar em consideração outros desdobramentos relacionados às tragédias climáticas. Um deles é a importância de as temáticas da sustentabilidade e da resiliência climática integrarem o currículo escolares, talvez não propriamente como uma disciplina, mas permeando as diferentes áreas de ensino. A importância deve-se porque esses assuntos estarão cada vez mais presentes na sociedade e preparar as futuras gerações para refletir e lidar com tais assuntos mostra-se cada vez mais relevante.
É necessária ainda atenção à saúde mental, especialmente ao acolhimento desses jovens estudantes, que, dependendo da idade, ainda trazem a bagagem dos efeitos do impacto da pandemia. Mas o ano letivo desta vez também começa com outro desafio: a recente lei que prevê a proibição do uso de celulares em sala de aula. As escolas têm discutido e adotado diferentes formas de viabilizar o cumprimento das novas diretrizes. Para além de uma proibição, essa lei deveria ajudar a promover a discussão do uso adequado desse instrumento na qualidade do ensino e da educação propriamente dita. Os celulares vão seguir na vida e o seu uso deve ser incorporado com responsabilidade na vida dos jovens.