Editorial

Aportes contra uma doença persistente

Uma dessas ações diz respeito ao corte de verbas para o tratamento da Aids em diversas partes do planeta. Para a OMS, a suspensão da ajuda dos EUA pode implicar prejuízo para oito países que necessitam desse suporte.

O mundo civilizado costuma se apoiar no enfrentamento de doenças, cuja disseminação não está suscetível aos limites territoriais entre as nações. Muito dessa mediação para ajuda multilateral é feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), que costuma organizar fundos a serem repassados para os países de maior vulnerabilidade na questão da saúde, notadamente para aqueles que precisam de vacinas e de remédios. A pandemia foi um exemplo de solidariedade internacional num momento em que milhões de vidas foram perdidas e a integridade física e psicológica de muitos outros milhões foi colocada em xeque pelo advento da Covid-19.

Uma dessas ações diz respeito ao corte de verbas para o tratamento da Aids em diversas partes do planeta. De acordo com a OMS, a suspensão da ajuda dos Estados Unidos para os programas de apoio aos pacientes pode implicar prejuízo para oito países que necessitam desse suporte. Segundo o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, “as interrupções nos programas de HIV podem desfazer 20 anos de progresso”. Sem dúvida, esse retrocesso pode representar a morte de centenas de milhares de pessoas atendidas e perda do controle da enfermidade. A decisão de Donald Trump causa apreensão para todos os envolvidos no enfrentamento desse mal para o qual ainda não se tem uma solução definitiva. Sem os repasses, a estimativa é que em breve poderemos ter dez milhões de novos casos e três milhões de óbitos em face da descontinuidade na assistência prestada aos acometidos por essa chaga. Haiti, Quênia, Lesoto, Sudão do Sul, Burkina Faso, Mali, Nigéria e Ucrânia estão na lista de potencial atingidos.

Nesse contexto, espera-se que haja negociações para que esse cenário seja amenizado e novas fontes de financiamento sejam encontradas. É preciso que a vida seja valorizada e que a solidariedade internacional se afirme com os valores que sustentam a dignidade humana como eixo das nossas sociedades.