Editorial

Aportes na malha ferroviária

O país tem atualmente cerca de 30 mil km de ferrovias, com grande parte delas sendo subutilizadas e necessitando de investimentos para serem modernizadas. Essa realidade demanda aportes tanto do poder público como da iniciativa privada.

O Brasil, como um país de dimensões continentais, não pode abrir mão de utilizar plenamente todos os modais de transporte, qualificando sua logística e reforçando sua competitividade, tanto no mercado interno quanto na disputa do comércio global, melhorando seus custos de produção. Nesse sentido, é muito importante dar uma atenção especial para a nossa malha ferroviária, que precisa ser revitalizada e expandida. Isso é algo que vai ao encontro de uma realidade mundial na qual se verifica que, nas nações mais desenvolvidas, os trens fazem parte do seu cotidiano, seja no deslocamento de passageiros, seja no fluxo de cargas.

O país tem atualmente cerca de 30 mil quilômetros de estradas de ferro, com grande parte delas sendo subutilizadas e necessitando de investimentos para serem modernizadas. Essa realidade demanda aportes tanto do poder público como da iniciativa privada. Alguns projetos, se colocados em prática, podem indicar grandes avanços nesse segmento. Um deles é o Plano Nacional de Ferrovias, lançado recentemente, que prevê R$ 100 bilhões em investimentos até 2035, com 20% de contrapartida pública e o restante ficando sob responsabilidade de empresas privadas do setor. Em 2025, as parcerias público-privadas devem representar 72% do total aplicado em infraestrutura, com realce para os setores de energia, transportes e saneamento. Tais iniciativas serão implantadas em consonância com um banco de projetos ferroviários e uma Política Nacional de Outorgas, para garantir segurança jurídica e atrair mais investidores, formando uma força-tarefa sob coordenação do governo federal.

Não é de hoje que especialistas indicam a importância de se ter o transporte ferroviário incorporado em larga escala ao nosso cotidiano. Os benefícios são muitos, como redução do tempo de deslocamento entre grandes centros urbanos; menor emissão de gases poluentes, contribuindo para o cumprimento de metas ambientais; descongestionamento de rodovias, diminuindo acidentes e mortes; e incentivo ao turismo regional. O progresso sustentável tem nas ferrovias importantes aliadas e não se pode prescindir de contar com elas para o nosso sempre tão almejado crescimento econômico.