Diversas pesquisas vêm apontando o baixo desempenho dos estudantes brasileiros no tocante à educação básica, que envolve diversas fases etárias de aprendizado, com estruturação em três etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. A Educação Infantil, que inclui creche e pré-escola, é para crianças de zero a seis anos. O Ensino Fundamental, de sete a 14 anos, é dividido em anos iniciais (1° ao 5° ano) e finais (6° ao 9° ano). O Ensino Médio, de 15 a 17 anos, é o complemento da formação básica. Quando avaliados em relação ao aprendizado e até comparados com outros países, o desempenho dos nossos jovens e adolescentes deixa muito a desejar.
Essa situação de insuficiência se agravou muito com a pandemia, quando as aulas passaram a ser remotas, sem contar com a assistência direta do professor. Até hoje, há levantamentos que indicam que ainda não conseguimos retornar aos níveis pré-pandêmicos. Um desses estudos é o do movimento Todos pela Educação, que fez um estudo em que conclui que, analisando o desempenho de alunos de matemática e de língua portuguesa do 5° ao nono ano do Ensino Fundamental, constatou que eles estão com piores índices do que antes do advento do coronavírus e das aulas remotas por conta do isolamento social. Os indicadores são de 2023 e, além de o Estado ter panorama semelhante ao do resto do país, Porto Alegre apresenta a pior condição entre as cidades com montante superior a 500 mil habitantes.
Realmente, essa realidade é motivo de alerta e as causas desse cenário preocupante não devem ser relacionadas apenas à pandemia ou mesmo à tragédia climática que assolou o RS em 2024. A inadimplência com o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), lançado em 2014, por certo tem muito a ver com a situação atual. Construir escolas e creches, remunerar melhor os professores, incentivar o ensino profissionalizante, aumentar o percentual destinado à educação na relação com o PIB, entre outros itens, são objetivos que foram esvaziados, solapando o sistema educacional do país.