Editorial

Aquecimento global e seus efeitos

É preciso reconhecer que as mudanças climáticas não são mais uma hipótese científica, mas uma realidade comprovada e que pode trazer consequências ainda mais graves ao planeta.

Esta semana, os gaúchos estão sentindo na pele algumas das consequências das mudanças climáticas. As altas temperaturas dos últimos dias têm diminuído os níveis dos rios, impactando o fornecimento de água e a produção agropecuária. O calor ainda estimula o consumo de energia elétrica, principalmente pelo uso de equipamentos como ar-condicionado e ventilador para aliviar o desconforto, que é generalizado. No entanto, há profissionais que precisam trabalhar expostos ao sol ou manipular fornos, caldeiras e asfalto. São neles os efeitos mais intensos, assim como nas crianças e nos idosos, por estarem bastante sujeitos a problemas de saúde, como desidratação.

Segundo a MetSul, o satélite europeu Sentinel-3 registrou imagem da temperatura da superfície no Rio Grande do Sul e em países vizinhos durante a tarde escaldante da terça-feira. As temperaturas ficaram acima de 40ºC em diversas cidades gaúchas e marcas de até 46,5ºC foram alcançadas à sombra na Argentina. O aumento da temperatura média do planeta provoca não só ondas de calor como a registrada atualmente, mas também chuvas intensas, a exemplo do que o Estado sofreu no ano passado. O aquecimento global é causado principalmente pela elevada concentração de gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2). O uso de combustíveis fósseis, o desmatamento e a decomposição de lixo que gera metano estão entre as atividades que motivam o fenômeno.

É preciso reconhecer que as mudanças climáticas não são mais uma hipótese científica, mas uma realidade comprovada e que pode trazer consequências ainda mais graves ao planeta. E dentro do que poderíamos fazer sobre isso, estão medidas de adaptação climática, que incluem reflorestamento, reciclagem, produção com redução de emissão de gases do efeito estufa e transição energética para uso de fontes renováveis. Já estamos atrasados e esta semana prova que precisamos correr atrás do prejuízo.