O mês de abril está chegando e, com isso, os gaúchos novamente se perguntam sobre o que está sendo feito para dotar a Capital e o Rio Grande do Sul de um sistema eficiente de proteção contra cheias. A preocupação se justifica, afinal, foi no mês de abril de 2024 que teve início a maior tragédia climática do Estado e uma das maiores da história do país. As consequências foram gravíssimas para a população e até hoje afetam seu cotidiano. São perdas que, além de vidas de entes queridos, o mais grave de tudo, abarcam residências, empregos, bens e eletrodomésticos até memórias afetivas, uma vez que as enxurradas levaram igualmente itens de memórias, sem falar nos animais de estimação perdidos, um desalento imenso para os seus donos.
Diante dessa realidade, uma vez que as condições objetivas que deram origem a esses fenômenos causadores de danos ainda continuam vigentes, com tendência a agravar-se, é lícito que a coletividade cobre as condutas adequadas do poder público para configurar um sistema protetivo eficiente. Nessa esteira, torna-se imperioso o atendimento de algumas demandas envolvendo a aceleração de obras estruturais, como diques, reservatórios e sistemas de bombeamento; o investimento em drenagem urbana sustentável, jardins de chuva, pavimentos permeáveis e recuperação de arroios; o fortalecimento de sistemas de alerta e de evacuação, ampliando monitoramentos meteorológicos e a comunicação com a sociedade; a obtenção de financiamento contínuo, evitando que medidas necessárias não sejam implementadas por falta de recursos. Para tanto, é urgente melhorar a sintonia entre os entes federados, União, Estado e municípios, como meio de fazer um planejamento que seja exequível para ser colocado em prática, dividindo ações e responsabilidades.
Já está bem assentada a visão de que o intervalo entre eventos naturais com potencial de destruição será cada vez mais curto. Diante disso, as autoridades têm de prestar contas sobre ações preventivas tomadas visando o curto, médio e longo prazos, esmiuçando o impacto de cada uma delas. O direito à informação não pode ser negligenciado diante de um futuro incerto em relação a catástrofes bastante prováveis.