Editorial

As lições a serem aprendidas de um período trágico no Estado

O triênio ora completado das cheias do Alto Taquari deve continuar sendo um alerta.

Nesta terça-feira, com assinatura do repórter Rodrigo Thiel, o Correio do Povo publicou uma página dedicada a fazer uma avaliação do que mudou na região após as inundações de setembro de 2023, que provocaram perdas de vida, danos patrimoniais e ambientais em diversas cidades do Alto Taquari, notadamente em Muçum e em Roca Sales. Foi, então, com estes eventos trágicos que começou a se forjar uma consciência real do perigo que estamos correndo em relação às mudanças climáticas. Infelizmente, esse ciclo, que está completando três anos, foi logo seguido pelas inundações de 2024, não dando tempo para se efetuar manejos preventivos para mitigar o que já se estava prenunciando.

Agora, no triênio daqueles acontecimentos cruciais numa linha do tempo dos impactos climáticos, cabe revisitá-los para ver o que foi feito em função deles para prevenir adversidades supervenientes. Contudo, a julgar pelas palavras dos prefeitos de Muçum, Amarildo Baldasso, de Roca Sales, Jones Wunsch, e de Encantado, Jonas Calvi, os municípios fizeram o que estava ao seu alcance, como mapear áreas de risco e realizar loteamentos, além de melhorar a comunicação com as comunidades. Essas ações são bem-vindas e revelam os limites a que estão sujeitos os entes municipais, principalmente do ponto de vista orçamentário. Há que se considerar que muitos tiveram suas economias devastadas, diminuindo seu poder de investimento. Nesse caso, há que se contar com o ente estadual e, principalmente, com a União, para realizar as obras de peso que podem ser decisivas ante eventuais ocorrências danosas e destrutivas. Nesse sentido, é preciso lembrar que questões importantes como desassoreamento dos cursos de água, aportes em casas de bombas e criação de espaços para drenagem do volume excessivo das cheias seguem sendo prioridade e demandam alta destinação de recursos.

Essa matéria serviu para lembrar que é preciso agir preventivamente e prestar contas à população daquilo que está sendo feito por parte dos governantes. O melhor período para intervir é sempre previamente. Afinal, como diz aquele ditado que, embora surrado, está eivado de verdade, “não adianta chorar sobre o leite derramado”.