Editorial

As mulheres e sua ascensão ao poder

Apesar de serem mais de 50% da população, as mulheres têm ocupado entre 10% e 20% dos cargos colocados em disputas nos pleitos eleitorais. Elas possuem pautas específicas que devem ser conhecidas dos eleitores.

O Brasil tem cerca de 211 milhões de habitantes e uma grande diversidade de pessoas, que conformam diferentes classes sociais, profissões, áreas de interesses e etnias. Todos esses segmentos têm algo em comum, serem cidadãos brasileiros. Essa condição os legitima para participar da vida pública do país, algo que, infelizmente, tem sido alvo da atenção e da atuação de uma minoria. Essa realidade precisa ser enfrentada para que possamos viver em uma sociedade mais plural e menos excludente.

Para exemplificar a afirmação acima, tomemos o caso das mulheres. Apesar de serem mais de 50% da nossa população, elas têm ocupado entre 10% e 20% dos cargos colocados em disputas nos pleitos eleitorais, isso nas prefeituras, nas câmaras de vereadores, nas Assembleias Legislativas, nos governos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Em relação à Presidência da República, apenas uma mulher até hoje exerceu a mais alta posição hierárquica nacional. Esse panorama evidencia muito bem que é preciso implementar políticas públicas que abram espaço para que as brasileiras possam ser escolhidas para governar nas mais diferentes esferas dos entes federados, municipal, estadual e federal. Não é necessário repisar que elas têm capacidade suficiente e as qualidades compatíveis para cumprir com qualquer atribuição que lhes for conferida pelos eleitores. Inclusive, cabe relembrar que elas têm pautas gerais relevantes, como a melhoria da saúde e da educação, e as mais específicas, como é o caso da construção de creches, demanda de milhares de mães que não têm um lugar onde deixar seus filhos para trabalhar, bem como a questão da violência doméstica.

O machismo e a discriminação ainda constituem óbices para que as mulheres exerçam plenamente sua cidadania. Cabe ao poder público e à sociedade civil implementar medidas que neutralizem essas condutas que atentam contra sua integridade física e psicológica, afetando seus direitos. Melhorar a representatividade feminina nos espaços institucionais é um dever de toda a coletividade.