Editorial

As oportunidades por detrás das tragédias globais do clima

O país precisa estar preparado para participar das soluções das questões climáticas.

Existe um conhecido ditado que diz que a dor ensina a gemer. Ou seja, esse aforismo da sabedoria do povo significa que, conforme o que se demanda perante nós, vamos aprendendo como reagir para enfrentar uma realidade difícil. Trata-se de um aprendizado valioso para tocar a vida adiante, com resiliência e adaptação às transformações que se nos deparam. Isso implica estar preparado para gerar novas oportunidades na adversidade. Por vezes, isso exige preparação, talento, inovação e perspicácia para responder com as medidas necessárias não apenas para neutralizar os problemas, mas também para, a partir deles, encaminhar ganhos e novas conquistas.

Essas variáveis apontadas se encaixam perfeitamente no caso das tragédias climáticas. Já há diversos estudos e mesmo programas que estão sendo colocados em prática que apontam que a tentativa de soluções pode levar a investimentos que vão gerar postos de trabalho e favorecer o crescimento econômico em todo o mundo, inclusive no território nacional. Isso pode ser exemplificado com a necessidade de obras de infraestrutura e com a economia verde, que são alvo e fonte de aportes que podem fazer toda a diferença no enfrentamento das questões do clima, ao passo que vão incentivando o desenvolvimento de novas tecnologias, como é o caso das energias limpas ou mesmo os projetos de cidades-esponja. O fato é que enxurradas, inundações, estiagens prolongadas e aquecimento global vão impulsionando a busca de novas tecnologias climáticas para fazer frente a um cenário preocupante para o futuro do planeta. De acordo com os mais recentes relatórios produzidos pelo Fórum Econômico Global sobre tecnologia e economia verde, existe um potencial financeiro em torno de 10 trilhões de dólares para ações em todo o mundo, sendo que esse valor poderia ser descentralizado para englobar também o Brasil, o qual deve estar preparado para fazer jus aos recursos desse montante significativo.

Dessa forma, há que se chamar a atenção para a relevância de apostar na ciência e na indústria nacionais, agregando valor e competitividade, com novas descobertas e contribuições que nos permitam estar na vanguarda desse processo. Isso também vai nos deixar mais prevenidos Afinal, com tantos óbices ambientais em nossa própria nação, não podemos validar um outro ditado popular, aquele que diz que, em casa de ferreiro, o espeto é de pau. O seguro morreu de velho, sabemos.