Editorial

As perdas com a pirataria no país

Em 2024, estimativas dão conta de que a indústria brasileira perdeu cerca de R$ 328 bilhões. A perda de faturamento afeta o capital das empresas e desestimula os aportes em inovação, condenando o país a marcar passo em sua competitividade.

O comércio ilegal é uma chaga que tem uma imensa repercussão no cotidiano das pessoas, ainda que elas não sintam o impacto na sua totalidade. Trata-se de uma prática que faz o barato sair caro no médio e no longo prazo para aqueles que adquirem itens irregulares, isso quando já no curto prazo não causar danos irreparáveis, como no caso de produtos nocivos à saúde, sem observar normas técnicas ou tendo substâncias tóxicas em sua composição. Além disso, há outras decorrências que impactam na qualidade dos serviços prestados pelo poder público a partir da perda de recursos por conta da sonegação.

Em 2024, estimativas dão conta de que a indústria brasileira perdeu cerca de R$ 328 bilhões com esses crimes. A perda de faturamento afeta o capital das empresas e desestimula os aportes em inovação, condenando o país a marcar passo em sua competitividade nos mercados interno e externo, sem falar nas fábricas que fecham por conta da concorrência desleal com os itens falsificados. No varejo, o panorama não é diferente. Lojas legalizadas que pagam impostos reduzem suas receitas e isso afeta o nível de emprego, levando milhares de trabalhadores a ficar sem seu rendimento mensal. Para os cofres públicos, as perdas ficam em torno de R$ 140 milhões, comprometendo as políticas públicas em áreas essenciais para a coletividade. Em recente artigo para o Correio do Povo, Márcia Costa, primeira vice-presidente do Sindilojas Caxias, foi categórica: “A dimensão do comércio ilegal no Brasil é alarmante. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), mais de 20% dos produtos comercializados no setor de vestuário são de origem ilegal”. Essa é a manifestação de quem conhece tal realidade adversa no dia a dia.

Diante desse cenário preocupante, cabe realizar atividades que busquem conscientizar os consumidores para que eles entendam os riscos daquilo que, aparentemente, é apenas uma compra inocente, mas que implica danos para todos. Por detrás dessa movimentação financeira, existe a capitalização e o fortalecimento de organizações criminosas. Sob todos os aspectos que se olhe, a pirataria só causa mal à economia do país.