A revelação de que o país aumentou consideravelmente seu volume de artigos científicos em publicações especializadas é algo que merece ser saudado e indica que a ciência brasileira tem pela frente um caminho que pode ser percorrido com inovação, descobertas e um planejamento categorizado para alavancar a produção do nosso conhecimento em todas as áreas. De acordo com um novo relatório divulgado pela editora científica Elsevier, em parceria com a agência de notícias científicas Bori, o número de publicações cresceu 4,5% de 2023 para 2024, totalizando mais de 73 mil, embora ainda esteja aquém do montante de 2021, com 82 mil.
O total de artigos publicados pode ser apenas uma estatística se não forem feitas as devidas conexões a fim de que se possa avaliar a importância deles no tocante ao desenvolvimento da nação e para a qualidade de vida dos seus habitantes no cotidiano. Os estudos e as descobertas levam a novos procedimentos e novas tecnologias em áreas essenciais, como saúde, educação, saneamento, segurança pública, inclusão socioeconômica, mobilidade urbana, infraestrutura, geração de emprego e de renda, soluções ambientais, reúso de recursos hídricos, descartes adequados de excedentes, entre outros pontos. Para tanto, e para que se possa ser protagonista em escala global nesses temas, é preciso começar cedo, investindo em educação desde a mais tenra idade e melhorando os níveis de aprendizado nos ensinos fundamental, médio e superior. Ter mais cientistas e mais pesquisadores em todos os setores, como no segmento da medicina ou das engenharias, não é um privilégio, mas uma necessidade do país em curto, médio e longo prazos. É por isso que os aportes em educação e a melhoria dos valores despendidos com alunos bolsistas precisam ser feitos com valores realistas e adequados.
Para uma progressão eficiente, há que atentar para conteúdos fundamentais, como os que são aferidos no ranking da Organização das Nações Unidas, capacitando para a leitura e para operações matemáticas, entre outros itens. A formação dos nossos estudantes precisa ser feita com diretrizes fundamentadas e não com variáveis impostas por um ou outro governante a cada mandato, sem profundidade nem simetria.