Editorial

As questões climáticas demandam orçamento e aportes efetivos

A população precisa ampliar sua consciência ambiental e cobrar mais ações dos governos.

Periodicamente, pesquisas indicam aqueles temas que costumam estar no topo da preocupação dos brasileiros e esse lugar já foi ocupado por assuntos diversos, como transporte coletivo, inflação, acesso à saúde e segurança pública. Mais recentemente, uma nova frente temática vem atraindo a atenção da coletividade e envolve as questões climáticas, principalmente depois de eventos que costumam deixar um rastro de destruição, seja pela força dos ventos, seja pela abrasividade das estiagens, seja pelo caos trazido pelas inundações. Todos os dias, praticamente, ficamos sabendo de uma tragédia ou de prejuízos trazidos pela degradação da natureza.

Num passado não muito distante, personalidades como Chico Mendes e José Lutzenberger, integrantes de uma geração emergente de ambientalistas, tentaram alertar autoridades e sociedade sobre os riscos da omissão em relação aos ecossistemas e aos recursos naturais. Não foram ouvidos no essencial de sua mensagem. Muitas vezes, foram tratados como alarmistas por segmentos que se negavam a admitir uma realidade que se mostrava cada vez mais assustadora. Houve alguns avanços legislativos, mas isso não implicou a adoção de ações efetivas e eficazes para deter a marcha da deterioração em curso. Não raras vezes, equipamentos necessários para combater enchentes ou mesmo incêndios não tiveram a manutenção adequada. Com isso, a prevenção deixou de ser feita e os resultados negativos não demoraram a aparecer, como se pode ver hoje na diminuição de biomas como o Pampa e a Caatinga, que enfrentam uma acelerada redução em sua área original. Isso também pode ser constatado na falta de políticas públicas que embasem a realização de obras de peso contra catástrofes naturais que se abatem sobre o país, das quais o Rio Grande do Sul é um exemplo cristalino por conta da maior cheia de sua história em 2024.

Nesse contexto, não é mais possível que se conviva com a negligência diante de adversidades previsíveis. É imprescindível que os governantes e os legisladores coloquem essas ocorrências no âmbito dos orçamentos, realizando investimentos palpáveis e vultosos na proporção necessária para evitar novas calamidades. A população também deve fazer a sua parte no dia a dia, tomando medidas pontuais, como a coleta seletiva do lixo. Com uma união entre segmentos institucionais e coletivos, talvez as perspectivas hoje angustiantes possam se tornar menos sombrias no curto, médio e longo prazos.