A previsão de que o Brasil deverá atingir uma população aproximada de idosos em torno de 32 milhões ao final do ano em curso é algo que deverá servir de alerta para as autoridades e para a coletividade, que deverá estar preparada para enfrentar essa realidade no dia a dia. Nunca a inclusão e a elaboração de políticas públicas específicas para esse segmento se mostraram tão importantes e necessárias. O envelhecimento é uma realidade indicada pelos dados de pesquisas recentes, como a que aponta que, até o ano de 2060, aproximadamente 25% do contingente populacional terá 60 anos ou mais, superando o montante de crianças.
Em conta dessa realidade que se configura no país em relação à chamada terceira idade, urge que as medidas condizentes sejam tomadas e elas envolvem as demandas de sua singularidade. Entre elas, cabe ressaltar o acesso à cultura e ao lazer, a tranquilidade no ambiente doméstico, a assistência à saúde, a proteção financeira, a mobilidade urbana, as atividades esportivas. Entre esses itens, merece destaque a inclusão digital para que esses brasileiros possam dominar as novas tecnologias, inclusive a ponto de terem autonomia para gerir seus interesses no cotidiano, como contas bancárias, podendo até mesmo prevenir-se de golpes aplicados via rede mundial de computadores. Cabe também promover campanhas de esclarecimentos acerca de seus direitos, notadamente os que dizem respeito ao seu bem-estar físico e psicológico, bem como daqueles especificados na Constituição e em legislações esparsas, como o Estatuto do Idoso.
O tema ora referido é muito relevante em meio à persistência de determinadas concepções permeadas pelo chamado etarismo, que nada mais é que um conjunto de preconceitos contra os integrantes dessa faixa etária. Todos temos a responsabilidade social de proteger nossos vulneráveis para que eles tenham uma vida digna e saudável, entre eles os idosos, fonte de experiências e de virtudes que precisamos reconhecer e absorver para nos aprimorarmos como seres humanos.