O dilema da educação no Brasil, ao longo do tempo, parece oscilar entre quantidade e qualidade. A quantidade diz respeito à ampliação do montante de estudantes matriculados nas escolas do país, notadamente as públicas. Por sua vez, a qualidade se refere aos níveis de aprendizado, com a absorção efetiva dos conteúdos ministrados aos alunos. Muitas pessoas comentam que, no seu tempo, a educação era melhor, embora nem todos tivessem acesso aos bancos escolares. Em contrapartida, outros tantos, atualmente, lembram que a educação está cada vez mais massiva e inclusiva, ajudando a melhorar os índices de escolaridade.
Essa dicotomia apontada parece nortear o levantamento consubstanciado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação, divulgada nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelo documento, depreende-se que o acesso à educação avançou no Brasil, mas sem atingir maioria das metas do Plano Nacional de Educação (PNE). Um exemplo é a frequência na idade certa, que ficou aquém do objetivo do PNE em 2024. Isso ocorreu em outras metas importantes, como universalização da educação infantil, ensino médio para adolescentes de 15 a 17 anos, erradicação do analfabetismo, inclusão de 33% dos jovens no ensino superior. Além dessas, também não foi atingida a meta 18, que trata sobre a remuneração dos professores. Outra questão relevante diz respeito à frequência do alunado, que decaiu em todas as faixas de ensino após a pandemia. Pelo tempo decorrido, já está na hora de envidar esforços para retomar os níveis pré-pandêmicos também nesse ponto específico. No momento em que um novo PNE está sendo debatido pelo parlamento e pelas autoridades da área da educação, a análise do que deu certo e do que deu errado nessa iniciativa merece aferição.
De acordo com o pesquisador do IBGE, William Kratochwill, os dados evidenciam uma evolução educacional do país por ter mais estudantes matriculados a cada ano. Todavia, ele ressalta que ainda não chegamos aos patamares desejados. O tamanho do desafio é enorme e precisa ser enfrentado com competência e um olhar no futuro da nação.