Em agosto deste ano, a Fiergs emitiu uma nota alertando sobre a extrema urgência em desassorear o Guaíba. Foi encaminhada pelo Dnit o estudo sobre a batimetria e, ao final desse procedimento, o custo total da dragagem, ajustado, ficará em torno de R$ 800 milhões. O governo federal anunciou a liberação de R$ 731 milhões para hidrovias gaúchas, incluindo o Porto de Rio Grande, Lagoa dos Patos, Guaíba e o Delta do Jacuí, Canal São Gonçalo e partes dos rios dos Sinos, Caí e Gravataí.
Em sua publicação de alerta, a Fiergs assinalou que a não implementação das medidas necessárias poderia levar à paralisação das operações do Polo Petroquímico de Triunfo e causar reflexos negativos na cadeia produtiva do Estado. Aduziu ainda que a hidrovia gaúcha é essencial para a economia do RS, pois é por ela que são transportados produtos como fertilizantes, celulose, madeira, gás liquefeito de petróleo (GLP) e produtos químicos.
No quadro das tratativas, as coisas até que avançaram, uma vez que já há previsão de verbas para a realização das ações prementes para o desassoreamento. Contudo, esse avanço não tem sido suficiente para dar conta de uma realidade que se mostra imperiosa no sentido de demandar iniciativas urgentes. O que foi colocado como uma possibilidade de piorar já está ocorrendo. O encalhe de navios é um fato no canal de Itapuã, em Viamão, entre a Lagoa dos Patos e o Guaíba. Ficaram retidos os navios Mount Taranaki, com bandeira de Hong Kong, e o panamenho Eva Shangai. Isso fez com que, ao menos, outras seis embarcações estejam paralisadas na fila, causando prejuízos que já chegaram aos R$ 11 milhões, com tendência ao agravamento dos custos e dos prejuízos.
Esse cenário adverso precisa ser revertido com urgência, porque contrasta diretamente com os esforços de reconstrução do Estado. Os estudos técnicos precisam ser agilizados e as obras tocadas sem perda de tempo, bem como urge integrar as hidrovias estaduais a uma logística eficiente que contribua para que a economia gaúcha possa voltar aos seus melhores dias.