Infelizmente, a tragédia dos feminicídios no Rio Grande do Sul está recrudescendo. Depois do recorde de seis assassinatos num único dia, na sexta-feira, as mortes continuaram no Feriadão, sendo que foram contabilizadas ao menos dez delas nesse período, desafiando as autoridades e a coletividade. Isso faz com que todas as forças da sociedade civil sejam chamadas a colaborar para estancar essa mortandade que destroça famílias e destrói histórias de vidas.
Quando se achava que o pico do terror havia sido alcançado na sexta, outros quatro homicídios vieram a ocorrer em diversas cidades do Estado, como Feliz, Serafina Corrêa, Pelotas e Ronda Alta. São crimes bárbaros, cometidos à faca e a tiros, vislumbrando-se um alto grau de covardia. Trata-se de ocorrências que demandam medidas urgentes no curto, médio e longo prazos para que as mulheres ameaçadas possam ter uma chance de sobreviver. Endurecer a legislação é uma das alternativas, mas ela deve vir acompanhada de iniciativas que possam fazer a diferença no cotidiano das vítimas, como no caso das medidas protetivas, que exigem o monitoramento do agressor em tempo real para que o delito cruel possa ser evitado a tempo. Os policiais costumam dizer que esse tipo de crime costuma ter materialidade definida e autoria conhecida. Conhecida por quê? Porque o assassino faz parte das relações cotidianas da mulher, no mais das vezes tendo tido com ela algum tipo de proximidade, mas que, diante de uma recusa, não aceita sua decisão e age motivado pelo ódio.
Em face dessa realidade, há que se encaminhar providências com a celeridade que a situação exige. A proteção devida deve ser prestada de todas as formas, inclusive com investimentos de monta para assegurar que as gaúchas, e as brasileiras, possam se sentir seguras com a neutralização de seus algozes. Os números são estarrecedores e, se as coisas continuarem como estão, estamos fadados ao fracasso como civilização.