Nestes tempos de notícias adversas no cenário nacional, como as estiagens, as inundações e a fumaça que se espalha de norte a sul do país, nada como ter uma informação auspiciosa para ser saudada nesse cenário complexo. É aí que vem em boa hora o anúncio de que as diversas obras que foram vandalizadas por ocasião das ações em 8 de janeiro de 2023, em Brasília, encontram-se com a restauração concluída ou em processo avançado de reconstrução. Igualmente é importante registrar que há uma equipe de especialistas gaúchos, da Ufpel, na vanguarda desses procedimentos sensíveis e necessários. No total, são cerca de 30 pessoas nesse labor imprescindível.
Segundo Andréa Lacerda Bachettini, professora e pesquisadora do Departamento de Museologia, Conservação e Restauro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), sua desilusão naquela tarde de janeiro foi se transformando em atitude ao ser instada para colaborar com o projeto de resgate da integridade das obras de arte. Juntamente com outros profissionais do restauro, ela mergulhou intensamente na tarefa de devolver ao povo brasileiro em boas condições seu acervo histórico-cultural que fora vilipendiado e danificado. Foi assim que se debruçaram, por exemplo, sobre o painel de Di Cavalcanti, conhecida como “As Mulatas à mesa”, rasgado em sete pontos. O resultado da recomposição já pode ser considerado de extremo êxito. Outras peças também foram avariadas, como a escultura em bronze “O Flautista”, do brasileiro Bruno Giorgi, com mais de 1,6 metro de altura, quebrada em quatro partes. Em outro assomo de barbárie, a escultura a “Vênus Apocalíptica”, também em bronze, da artista argentina Marta Minujín, foi atirada do quarto andar do Palácio do Planalto, caindo no gramado na área externa.
Ao todo, são cerca de 20 obras, que, até o final do ano, já deverão estar disponibilizadas para a apreciação do público. Ao verbo restaurar, seria importante acrescer lembrar e prevenir para que atentados desse teor ao patrimônio material e imaterial da nação nunca mais se repitam.