Editorial

Campanha pela doação de órgãos

Diante de um tema de tão alta relevância e também por fazer parte do cotidiano de quem aguarda ansioso por uma doação de órgãos, a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre está lançando uma campanha denominada ‘A vida cabe no seu sim’.

Adecisão de doar órgãos para transplante é uma decisão muito difícil para a família do eventual doador quando não há da parte dele nenhuma sinalização anterior sobre essa questão. Em meio ao luto, nem sempre se pode tomar uma decisão racional, fazendo com que muitas vidas que poderiam ser salvas não o sejam por conta de uma ausência de determinação, até compreensível nesse contexto. Todavia, é muito importante que a sociedade civil e as autoridades ligadas à área de saúde tomem as medidas certas para encorajar as pessoas a se decidirem sobre um assunto de tal importância, bem como seus clãs familiares.

Diante de um tema de tão alta relevância e também por fazer parte do cotidiano de quem aguarda ansioso por uma doação de órgãos, a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre está lançando uma campanha denominada “A vida cabe no seu sim”, com o intuito de incentivar tais doações. Segundo a instituição, somente no Rio Grande do Sul, são cerca de 3 mil pessoas na fila de espera. Em todo o país, esse montante chega a 80.072 pessoas, sendo que 46.956 aguardam por um rim, fígado, coração, pulmão e pâncreas e 33.116 por córnea (tecido). Entre elas, estão mais de 1,3 mil crianças. O número cresceu 23% em 12 meses, já que, em agosto de 2024, eram pelo menos 65 mil pacientes nessa lista marcada pela angústia e pela expectativa. O panorama só não é mais grave por conta da tradicional virtude da empatia que caracteriza o povo brasileiro. No ano em curso, de janeiro a abril, houve um incremento de 18% nos transplantes em relação ao mesmo período de 2024, o que evidencia que existe um espaço a ser aproveitado para reverter as negativas familiares.

Essa busca de atender a todos aqueles que estão precisando de uma doação precisa contar com amplos esforços de todos os segmentos da coletividade. O próprio poder público faz a sua parte ao investir em tecnologias para agilizar a identificação de doadores e o transporte de órgãos, melhorando essa logística, bem como ao propiciar a ampliação de centros regionais de transplante para garantir um melhor acesso dos envolvidos, descentralizando os procedimentos. Esse amplo movimento do bem merece apoio por representar uma causa meritória e vital.