A cada ano, vê-se que a crise climática ganha contornos cada vez mais complexos, interferindo de forma negativa em todas as esferas da vida coletiva. É assim na economia, na saúde, no meio ambiente, na seara do trabalho, na mobilidade urbana. Enfim, os reflexos dessas alterações sobre a vida humana e sobre a vida em geral no planeta têm se mostrado preocupantes e acendem os alertas para que governos, sociedades e iniciativa privada coloquem na pauta medidas eficientes para lidar com essa nova realidade de degradação.
Um dos segmentos que já vem sofrendo com tais instabilidades no cotidiano é a educação. Nossas escolas, no geral, não estão equipadas para mitigar os efeitos danosos dessas variáveis no bem-estar dos alunos e, por consequência, nos seus níveis de aprendizado, já tão reduzidos em situações normais. Um exemplo disso é a falta de climatização nas salas de aula, que podem ser extremamente frias no inverno e insuportavelmente quentes nos dias de verão. De uns anos para cá, não tem sido incomum que dias letivos sejam cancelados por conta de temperaturas extremas que acabam por influenciar no rendimento escolar, afetando o processo educativo e sua evolução. Existem números por trás desta constatação: apenas cerca de 25% das escolas estaduais no RS têm ar-condicionado, enquanto, na rede municipal, essa percentagem fica em torno de apenas 11%. Em muitos casos, a impossibilidade de fazer funcionar os equipamentos se deve ao fato de a rede elétrica apresentar uma defasagem e necessitar de reformas.
Em face dessa realidade, vem em boa hora o anúncio do projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados prevendo a instalação de aparelho de ar condicionado em todas as escolas do país. A receita para implementação viria de recursos do pré-sal. Espera-se que a proposta prospere e que, num curto espaço de tempo, comecem as mudanças que garantam aos estudantes condições de estudo apropriadas. Os meios existem, basta que sejam direcionados para os devidos fins.