Editorial

Convênio contra os males do tabagismo

A diminuição no montante dos usuários implica perda de grandes receitas para a indústria tabagista. Por conta disso, surgem novas estratégias para não perder consumidores. O cigarro eletrônico está nesse rol.

Como já bem assentado pela ciência, o tabagismo é capaz de causar uma série de doenças, algumas muito graves e outras que são portas de entrada para enfermidades oportunistas. Entre as enfermidades, estão doenças cardiovasculares, a exemplo da hipertensão, do infarto, da angina, e do derrame. Estão ainda nesse indesejado rol o câncer de pulmão, de boca, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, rim e bexiga, bem como doenças respiratórias obstrutivas, como a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. E essa lista, infelizmente, é apenas exemplificativa.

Diante da ocorrência de muitos males que, reconhecidamente, afetam a saúde das pessoas, diversas iniciativas da sociedade e do poder público buscaram levar conhecimento sobre o perigo em potencial do hábito de fumar. As campanhas de esclarecimento, entre outras medidas, surtiram efeito. Em 1989, 34,8% da população acima de 18 anos era fumante no país, segundo a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN). Já em 2003, quando na Pesquisa Mundial de Saúde (PMS), esse percentual ficou em 22,4 %. No ano de 2008, segundo a Pesquisa Especial sobre Tabagismo (PETab), a percentagem caiu para 18,5 %. Conforme os dados mais recentes, de 2019, da PNS, os números recuaram para 12,6%.

A diminuição no montante dos usuários implica perda de grandes receitas para a indústria fumageira. Por conta disso, surgem novas estratégias para não perder consumidores, inclusive com a tentativa de lançar produtos que consigam êxito perante a opinião pública sob o pretexto de serem menos danosos ou até de não causarem mal algum. É o caso do cigarro eletrônico, que, impugnado pela Anvisa, é apenas um novo meio de veicular chagas antigas.

Sob o risco de liberação desses itens, também conhecidos como vapes, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmaram um convênio de cooperação técnica com o objetivo de esclarecer a coletividade sobre os efeitos maléficos desses dispositivos. Os alertas sobre um tema de tal gravidade precisam ser considerados por todos.