Editorial

Cotejo do ensino como alerta ao país

A meta é medir o grau de formação de pessoas com capacidade de explorar novas perspectivas diante de uma questão pendente, buscando soluções inovadoras para problemas diversos em diferentes contextos de tarefas.

Mais uma vez o Brasil não obteve uma boa colocação num ranking internacional que mede o desempenho de seus alunos em determinadas áreas do conhecimento. Desta vez, trata-se de um levantamento realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), denominado Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), no qual um dos volumes foi dedicado à questão do emprego do pensamento criativo. Num universo de 64 países, os alunos brasileiros apresentaram um desempenho de 23 pontos, abaixo da média das nações da OCDE, que foi de 33 pontos. O líder foi Singapura, com 41 pontos. O país ficou atrás de Jamaica, Mongólia, Cazaquistão e dos vizinhos Uruguai e Colômbia e no mesmo patamar de Panamá, El Salvador, Arábia, Saudita e Peru.

O objetivo da iniciativa é identificar as comunidades com os melhores resultados no sentido de interligar pensamento criativo e currículos escolares. Assim, a meta é medir o grau de formação de pessoas com capacidade de explorar novas perspectivas diante de uma questão pendente, buscando soluções inovadoras para problemas diversos em diferentes contextos de tarefas. Segundo o documento, é ter “competência para se envolver produtivamente na geração, avaliação e aprimoramento de ideias que possam resultar em soluções originais e eficazes, avanços no conhecimento e expressões impactantes da imaginação”.

Esse resultado demonstra que ainda é necessário otimizar os gastos públicos com educação em território nacional. Para o ano em curso, o orçamento da União prevê aportes de R$ 162 bilhões, alta de 24% em relação a 2023. Não chega a ser um montante ideal, que fica abaixo dos investimento por aluno nos países desenvolvidos, mas é um valor considerável que precisa ser mais bem aplicado na atividade-fim, chegando diretamente à sala de aula. A lógica atual mostra que nosso ensino custa muito para um aprendizado que ainda deixa muito a desejar. Essa equação mal resolvida não favorece o futuro do país.