O RS e o país ficaram estarrecidos com três crimes ocorridos recentemente na Região Sul, dois no Estado e um no Paraná. Em um deles, uma jovem grávida foi morta, na Capital, por uma outra mulher que usou uma faca para lhe cortar a barriga e retirar seu bebê. Ela simulou uma gravidez, mas foi presa e está à disposição da Justiça. Em outro episódio trágico, uma mãe é suspeita de assassinar gêmeas de seis anos, as quais morreram em um intervalo de oito dias no município de Igrejinha. Em outra ocorrência de causar incredulidade, um menino de nove anos invadiu um local de abrigo de pequenos animais e matou de forma cruel 23 deles, com requintes de crueldade.
Esses acontecimentos envolvendo um feto, duas crianças assassinadas e um menor infrator evidenciam a importância de proteger a infância desde a mais remota idade, inclusive no útero materno. E essa atenção deve ser uma preocupação constante da coletividade, desde a vizinhança, passando pela escola, pela comunidade e por todo o seu entorno. É muito necessário que agentes como autoridades, profissionais da saúde e professores estejam atentos para quaisquer sinais de desequilíbrio emocional ou de abuso doméstico a fim de que sejam acionadas medidas protetivas que possam vir a evitar desfechos como os verificados nos casos referidos.
Já se disse com propriedade que violência gera violência. A intervenção prévia do poder público, como por meio dos conselhos tutelares, por exemplo, pode ajudar a estancar esse ciclo de produção e de reprodução de condutas abusivas que podem acabar se normalizando aos olhos de suas eventuais vítimas e funcionando como uma espécie de liberdade para também agredir outrem.
Não se pode mais ter omissão diante da necessidade de medidas eficazes para garantir aos infantes um ambiente saudável e com disseminação de valores positivos, bem como evidenciar-lhes que não lhes será negada a assistência devida. E punir abusadores, até com o consequente afastamento de tais criminosos do lar, é imperioso e necessário.