Editorial

Data pela inclusão e pela cidadania

O montante de PCDs, para se ter uma ideia do seu significado em termos de quantidade, é superior às populações somadas de Portugal e do Uruguai, com 10.749.635 e 3.384.688 habitantes, respectivamente.

No âmbito do Setembro Verde, que tem como foco promover ações que fomentem a inclusão e a igualdade de oportunidades, tivemos neste domingo o 21 de setembro como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Trata-se de uma data que visa ser o pico neste mês voltado a gerar maior conscientização em torno deste segmento, que envolve milhões de brasileiros e foi instituída por iniciativa de movimentos sociais e ativistas pelos direitos dessas pessoas com alguma limitação. É celebrada no Brasil desde 1982 e foi oficializada pela Lei n° 11.133, de 14 de julho de 2005.

De acordo com o Censo 2022, 14,4 milhões de pessoas no Brasil classificadas como PCDs, o que corresponde a 7,3% da população de 2 anos ou mais, possuem algum tipo de deficiência, sendo as mais comuns as dificuldades de enxergar, com 7,9 milhões; de andar ou subir degraus, com 5,2 milhões; e de ouvir, com 2,6 milhões. Esse montante, para se ter uma ideia do seu significado em termos de quantidade, é superior às populações somadas de Portugal e do Uruguai, com 10.749.635 e 3.384.688 habitantes, respectivamente. Trata-se de um segmento que demanda políticas públicas e privadas para que possam exercer sua cidadania e contribuir, a seu modo, com o desenvolvimento do país. Dar efetividade ao princípio da dignidade humana, insculpido na Constituição de 1988, implica gerar oportunidade para todos, de modo que cada um possa trabalhar e produzir de acordo com suas aptidões. Isso precisa ser um compromisso de toda a coletividade, que deve fomentar valores de empatia e de respeito. Em todo o país, foram realizados seminários, debates e foram adotadas outras iniciativas tendentes a valorizar aqueles que são diferentes em alguns aspectos físicos ou psíquicos, mas que são sujeitos de direito como qualquer outro.

O fato de essa efeméride coincidir com a véspera do início da primavera não é por acaso. Antecedendo a estação das flores, representa a renovação e o florescimento das reivindicações de cidadãos que esperam apenas ver seus direitos respeitados.