Após as enchentes que ocasionaram a maior tragédia da história do RS, os gaúchos se perguntam sobre o que está sendo feito de fato para evitar que novos eventos dessa estirpe se repitam. As medidas devem ser tomadas no curto, médio e longo prazos, dependendo de sua complexidade, e devem ser compartilhadas com a população para que ela possa saber que medidas efetivas estão sendo adotadas. Afinal, as perdas de vidas, o número de feridos, os prejuízos patrimoniais não podem ter ocorrido em vão.
Uma das medidas que já está sendo implementada pelo governo do Estado diz respeito à batimetria, que é útil para medir a profundidade dos cursos de água. É dessa forma que será aferida a necessidade de desassoreamento. Num primeiro momento, serão perscrutados 512 quilômetros de áreas hídricas, com aporte de R$ 2,5 milhões. Em relação ao Guaíba, a previsão é que, com um relatório em agosto, os procedimentos sejam feitos ainda no segundo semestre do ano em curso. A par desse processo, é importante fixar o que dizem os especialistas em relação às iniciativas preventivas, que, segundo eles, exigem um enfoque com abordagem integrada, envolvendo infraestrutura, planejamento urbano, educação e tecnologia. Entre as recomendações sugeridas, estão a construção e manutenção de diques, planejamento urbano e ocupação responsável do solo, desocupação de áreas de risco, monitoramento eficaz com alertas criteriosos, capacitação e aparelhamento das defesas civis, parcerias com universidades e acompanhamento de áreas rurais ameaçadas, entre outros itens. As soluções devem ser encontradas não apenas para cheias recordes, mas também para aquelas que ocorrem anualmente em diversos municípios, como em alguns bairros de Porto Alegre.
Quando das ocorrências de 2024, muitas coisas foram aventadas para serem feitas, inclusive a transferência de moradores para novas casas por meio de financiamentos oficiais. Uma parcela dos compromissos foi honrada, mas uma grande parte ainda está pendente. É por isso que a coletividade continua à espera de informações e de adimplemento por parte dos governantes.