A questão da adoção no país enfrenta disparidades que, num primeiro momento, causam espécie por conta dos números. De acordo com dados fornecidos por portais especializados, há atualmente cerca de 5 mil crianças disponíveis para serem adotadas e pouco mais de 36 mil adotantes cadastrados. Isso pode causar a falsa impressão de que o problema não é da gravidade de que se reveste, uma vez que, aritmeticamente, esse cadastro de infantes adotáveis deveria estar zerado, já que o montante de interessados em adotar supera em muito o total de disponibilizados em todo o país para serem colocados em uma nova família.
Muito dessa dificuldade de equacionar essa desproporção se deve ao fato de que os que procuram um menor para adoção colocam critérios que não fecham com a realidade dos abrigos ou das instituições da rede protetiva. Em geral, querem meninos e meninas com idade de até dois anos, podendo aceitar até seis anos além da faixa etária preferencial. Ocorre que a maioria dos que estão na fila das adoções extrapola essa idade, inclusive com um grande contingente negligenciado por estar entre 14 e 18 anos. Aliás, nessa faixa de 18 anos, quando completada a maioridade, os albergados são compelidos a sair sem ter mais nenhuma assistência oficial, o que configura um problema social que precisa receber uma atenção maior das autoridades.
Visando aumentar os percentuais de adoção, os entes federados vêm desenvolvendo iniciativas de esclarecimento da população no sentido de estimular adoções tardias. Uma delas ocorre anualmente, no dia 25 de maio, que foi instituído como o Dia Nacional da Adoção. A data começou a ser celebrada no país a partir de 1996, quando da realização do Primeiro Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção de crianças. Essas campanhas que visam flexibilizar os critérios das famílias nessa busca de um adotado são relevantes para demonstrar que o afeto não tem idade. De repente, aquele novo componente do clã familiar está ali, disponível, pronto para ser feliz e fazer felizes seus novos pais.