Editorial

Dois segmentos populacionais com tendências bem distintas

O poder público precisa estar atento ao tema da evolução demográfica do país.

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) 2025, divulgada na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evidencia-se que a população brasileira está crescendo em ritmo menor e está ficando paulatinamente mais idosa. Esse quadro, por si só, deve ser levado em conta pelos governantes e pelos órgãos setoriais na hora de elaborar políticas públicas, sendo que algumas delas devem ser permanentes, como é o caso do combate à mortalidade infantil, e outras devem ser pontuais, buscando tratar das novas questões levantadas por essas curvas demográficas.

A expansão do grupo da chamada terceira idade lança novos desafios a serem enfrentados pela coletividade. Um deles está no sistema previdenciário, que se sustenta no princípio da coparticipação geracional, quando os trabalhadores da ativa contribuem para que haja recursos para pagar aposentados e pensionistas. Também se deve ter atenção com o Sistema Único de Saúde (SUS) para garantir que esses brasileiros e essas brasileiras de uma faixa etária avançada tenham garantido um atendimento qualificado quando advierem as enfermidades próprias de sua fase de vida. Igualmente, é importante abrir vagas no mercado de trabalho para que eles possam se inserir em um labor que lhes permita auferir uma renda complementar, superando as discriminações inerentes ao etarismo. Da mesma forma, é necessário desenvolver projetos que facilitem a mobilidade urbana, muitas vezes negligenciada pelos gestores das administrações em nível federal, estadual e municipal.

De outro lado, remanesce a necessidade de elaborar programas voltados a salvaguardar a saúde das crianças para que nasçam e cresçam saudáveis, sem intercorrências indesejadas. Além de acompanhamento na fase de pré-natal, cabe incentivar a vacinação e garantir a elas uma alimentação nutritiva e suficiente para o seu desenvolvimento. Tanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) quanto o Estatuto do Idoso trazem as coordenadas que devem reger o suporte a ser dado a esses segmentos, que têm tendências opostas de evolução e que devem ser considerados em suas especificidades.