Evitar mortes e sequelas demanda ações preventivas e pontuais e deve estar no centro da preocupação das pessoas, seja de forma individual, seja de forma coletiva. E a esse contingente deve-se somar o poder público, com seu poder de regulamentar, investir, construir, fiscalizar e propiciar atendimentos e medidas inibidoras do desenvolvimento de enfermidades no cotidiano. Nesse sentido, são muito importantes as campanhas promovidas pelos órgãos de saúde todos os meses, tanto da União como dos estados e dos municípios. Algumas delas estão muito incorporadas ao dia da coletividade, como é o caso do Outubro Rosa, que alerta para o câncer de mama, ou do Novembro Azul, que trata do câncer de próstata.
O mês de julho comparece nesse calendário com dois alertas muito importantes. O primeiro é o Julho Amarelo, instituído pela Lei Federal 13.802/2019, que tem como foco prevenir, diagnosticar e tratar as hepatites virais A, B, C, D e E. A cor foi escolhida por estar correlacionada à saúde do fígado. Já o Julho Verde está focado na prevenção e diagnóstico precoce do câncer de boca, garganta, laringe, tireoide, etc. Tem origem em iniciativa da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Quanto aos números, o histórico é bem preocupante. Entre 2000 e 2024, foram notificadas 49.999 mortes por causa básica e 45.959 por causas associadas às hepatites A, B, C e D. Embora tenha havido uma redução recente, as mortes ainda se contam aos milhares. No tocante às doenças do Julho Verde, segundo o Instituto Nacional do Câncer, a média de mortes no país gira em torno de 40 mil por ano, um montante significativo que precisa ser revertido.
Essas duas campanhas, embora com especificidades entre si, podem perfeitamente ser levadas de maneira conjunta para atingir seus objetivos, sendo um deles o de reforçar o diagnóstico precoce. A celeridade na descoberta desses males reforça as chances de cura. Em sendo assim, cabe a conscientização de todos no sentido de que prevenir-se de dramas pessoais futuros pode estar ao alcance de cada um. É preciso agir, pois a negligência é péssima conselheira.