Editorial

Em busca de desaparecidos

Nesse sentido, é muito importante o anúncio do governo federal de que vai promover uma campanha de busca por pessoas que desapareceram, valendo-se dos serviços que são prestados por órgãos públicos.

Há alguns dias, o caso de uma jovem de 18 anos que teria desaparecido no caminho para a escola, em Porto Alegre, mobilizou autoridades, familiares e amigos. Foi um drama que pareceu uma eternidade para seu clã familiar. Felizmente, ela acabou encontrada e voltando para casa. Contudo, esse final feliz nem sempre ocorre e é preciso criar mecanismos para que pessoas desaparecidas possam ser encontradas e retornar para seus lares ou retomar os laços afetivos com aqueles que estão no seu entorno. Algumas medidas podem ser importantes para que esse tipo de ocorrência possa ser solucionada em vez de ficar como um mistério para sempre, como sói acontecer em determinadas situações.

Nesse sentido, é muito importante o anúncio do governo federal de que vai promover uma campanha de busca por pessoas que sumiram, valendo-se dos serviços prestados por órgãos públicos, notadamente o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Ministério da Saúde e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Pelo protocolo, as pessoas que usarem os serviços governamentais, como os de saúde ou de assistência social, deverão ser identificadas através das impressões digitais ou outros meios a fim de que seja feito um cadastro nacional que possa ser disponibilizado, com autorização, para as famílias e para as forças de segurança, especialmente para delegacias especializadas, como a que existe de forma pioneira em Porto Alegre. Essa iniciativa tem como marco o fato de que, embora de forma ainda restrita, os procedimentos adotados já permitiram, até agora, que ao menos 35 famílias encontrassem seus desaparecidos, o que não é pouca coisa, haja vista a dor imensurável que se abate sobre parentes e amigos nessas tragédias pessoais.

É muito importante que o poder público se engaje nessas buscas. A alegria do reencontro de um ente querido que se julgava perdido é um presente para toda a coletividade, pois essas ausências ferem um bem que deve ser protegido, o da dignidade humana.