Editorial

Entre dois ciclos, um aprendizado e uma expectativa do futuro

Mudando o calendário, vale a reflexão sobre o que vivemos e o que poderemos vivenciar.

Como não poderia ser diferente, com o término de um ano que se vai e com o início de um outro que já chega com muita expectativa, a coletividade vai lançando um olhar introspectivo sobre esses fatos ainda recentes e projetando uma visão prospectiva do que pode ocorrer no novo ciclo que se avizinha, misturando perspectivas com suas legítimas aspirações. Sem dúvida, tivemos um ano de muitos acontecimentos singulares que, certamente, em breve estarão nos livros de história e nos bancos escolares. Outrossim, ainda que não se possa prever exatamente o que irá ocorrer, é certo que o futuro que ora começa a se descortinar há de trazer também sua singularidade para aportar ao cotidiano da vida nacional.

No ano que se encerra, houve iniciativas nas mais variadas áreas, como no caso da COP30, realizada em Belém do Pará, tendo o Brasil como um dos protagonistas. A sociedade cobrou dos governantes soluções para problemas estruturais, como obras para enfrentar cheias e estiagens. Houve a descoberta de novos mercados para o RS e o Brasil e a retomada da economia, como no caso do turismo, permitiu um leve incremento no PIB, que permanece tímido diante de um mercado contido por uma massa salarial reduzida e juros altos. A par disso, a velha e bem conhecida solidariedade dos brasileiros aflorou, a exemplo do trabalho voluntário e de gestos nobres, como a doação de sangue. A criação de uma vacina brasileira contra a dengue também é algo auspicioso, demonstrando a força da nossa ciência. Algumas questões seguem atuais como desafio para 2026, como melhorar os índices de desenvolvimento humano medidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e elevar a qualidade da educação. Entre muitas demandas, é crucial combater o alarmante número de feminicídios, que evidencia o quanto nosso dia a dia é perigoso para as brasileiras. E isso se faz com políticas públicas realmente eficientes, já apontadas por especialistas no tema, e com conscientização sobre os males do machismo, que avulta por trás desses delitos contra suas vidas.

A vida não muda apenas pela mudança formal de calendário. Mas ele pode ajudar nas reflexões que precisamos fazer para enfrentar adversidades e transpor obstáculos que nos impedem de viver mais e melhor, com harmonia e respeito à esfera de direitos de terceiros, começando pelos deveres de tolerância e de urbanidade com quem vive no nosso entorno.