Editorial

Falso Patrono na mira da PC gaúcha

Com a evolução dos meios, desde os mecânicos, passando pelos analógicos e chegando até aos digitais de hoje em dia, igualmente as formas de cometer os estelionatos foram se aprimorando. Urge confiar desconfiando.

Vêm de priscas eras as espertezas dos meliantes para amealhar lucro fácil em cima de suas vítimas. Um exemplo é o conto do bilhete premiado, uma encenação que acaba fazendo com que pessoas incautas entreguem quantias, muitas vezes, significativas, acreditando que receberiam um prêmio de monta e ficariam ricas. Ao final, descobrem que foram envolvidas por um grupo engenhoso e acaba lhes restando prejuízos materiais e danos psicológicos. Nesses tempos, também eram vendidas falsas rifas beneficentes, que acabavam engordando o bolso de algum vivaldino.

Com a evolução dos meios, desde os mecânicos, passando pelos analógicos e chegando até aos digitais de hoje em dia, igualmente as formas de cometer os estelionatos foram se aprimorando. Atualmente, temos, entre outros, mensagens falsas por e-mail, SMS ou WhatsApp que imitam bancos, empresas ou órgãos públicos; deepfakes e IA maliciosa, que imitam pessoas conhecidas; clonagem do WhatsApp; falsas plataformas de lojas virtuais; ofertas de empregos que não existem, boletos falsos, inclusive imitando órgãos públicos e entidades associativas; estelionato sentimental, pirâmides financeiras. Agora mesmo, uma empresa de meio de pagamentos sofreu um ataque hacker, perdendo, segundo estimativas, ao menos R$ 800 milhões. Os delitos são incontáveis, causando perdas irreparáveis para os envolvidos. Um deles está agora sob a mira da Polícia Civil do RS. Trata-se da Operação Falso Patrono, que apura casos em que clientes com valores a receber na esfera judicial são abordados por espertalhões que pedem dinheiro para liberar as indenizações e os valores que estariam retidos. Para dar verossimilhança, eles passam dados dos processos aos beneficiários, que se convencem de estar em contato com os verdadeiros atores processuais aptos a deslindar o feito. Contudo, mais uma vez, udo se revela como um delito em que os legitimados às verbas pagam e não levam o que é do seu direito.

Como se vê, a imaginação dos criminosos é fértil. É preciso que cada possível alvo se proteja com informação e com a cautela necessária. É de se desconfiar diante de um negócio que parece bom demais para ser verdade. E, no mais das vezes, realmente não é.