Editorial

Ferrovia como mote de desenvolvimento

Essa iniciativa é muito importante não apenas para revitalizar o turismo no RS como também para servir de paradigma para que outros empreendimentos sejam realizados não só em âmbito regional como também em todo o território nacional.

O anúncio, pelo governo estadual, da implementação de uma linha de trem entre Porto Alegre e Gramado, com operação para 2032, é um anúncio alvissareiro que vai, por certo, revolucionar a cadeia turística do Rio Grande, representando um ganho nesse segmento que vai se refletir em todo o Estado. A ferrovia terá 84 km, com uma viagem que durará cerca de uma hora, beneficiando 19 municípios de forma direta e muitos outros indiretamente. O investimento será de R$ 4,5 bilhões e toda a estruturação ficará a cargo da iniciativa privada, que terá uma autorização de 99 anos para explorar o serviço.

Sem dúvida, essa iniciativa é muito importante não apenas para revitalizar o segmento turístico no Rio Grande do Sul como também para servir de paradigma para que outros empreendimentos sejam realizados não só em âmbito regional como também em todo o país. É urgente reativar e expandir o modal ferroviário por conta de suas inúmeras vantagens na nossa logística, favorecendo o transporte de cargas e o deslocamento de passageiros. Basta dizer que os custos dessas operações retiram competitividade dos estados no mercado interno e também no processo de exportações. Alguns levantamentos indicam que apenas um vagão de trem pode substituir cerca de três a quatro caminhões no transporte de carga. Imagine-se a economia que isso pode representar. Sem esquecer um ponto fundamental, que nem sempre é lembrado: o descongestionamento de nossas rodovias pode representar menos acidentes e, com isso, menos mortos e feridos em tragédias envolvendo veículos. Trata-se de um ganho incalculável para toda a coletividade, uma vez que a vida é o maior bem a ser preservado e todos os esforços têm que ser envidados nesse sentido.

Com uma malha ferroviária que gira em torno de 30 mil quilômetros, o Brasil tem uma rede inferior à de outras nações com PIB semelhante. Trata-se de fomentar uma expansão imprescindível para o nosso desenvolvimento econômico. Os trens precisam retornar ao cenário das nossas lindas paragens e num tempo o mais breve possível.