Encerrou-se nesta sexta o prazo para declaração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF), um dos tributos mais importantes para financiar as atividades do governo federal e que também tem parte repassada para os cofres dos municípios e estados. Como não se trata de valores vinculados a determinadas ações, os gestores poderão, de forma discricionária, fazer aportes em áreas tão distintas como educação, saúde, saneamento, transporte público, mobilidade urbana, lazer, esporte e em outros segmentos importantes.
Nesta época de adimplir com esta obrigação anual, os contribuintes se veem privados de um dinheiro para o qual, sem dúvida, eles teriam outros destinos bem mais interessantes por sua ótica. Seguramente, investiriam em viagens, atividades com a família, gastos em algo para sua casa, investimentos financeiros, entre outras possibilidades. Contudo, o Leão é voraz e não é uma opção a possibilidade de não pagar, uma vez que as consequências são as mais variadas possíveis, afetando a vida pessoal e financeira do inadimplente por conta de cobranças ostensivas. Dessa forma, a irresignação é um direito e o pagamento um dever que não se pode afastar. Em sendo assim, e aí entram outras variáveis que podem dar um alento para quem contribui, resta cobrar e fiscalizar os entes federados para que os recursos sejam realmente usados para fins nobres e legais, conforme estabelece nossa legislação. Cabe aos órgãos com atribuições de acompanhar as movimentações do erário e agir para que a moralidade administrativa, com escopo na Constituição federal, seja observada. O cidadão que financia as ações dos governantes e dos legisladores quer que elas sejam voltadas a realizar as melhorias demandadas pela coletividade.
Toda vez que ocorre um ilícito contra os cofres públicos, algo que deve ser apurado com rigor, há uma falha que fragiliza a confiança daqueles que, querendo ou não, são os financiadores das estruturas institucionais, tanto da administração direta quanto da indireta e dos poderes constituídos. O aprimoramento dos meios para impedir desvios de verbas ou para punir corruptos é imprescindível, ainda mais num tempo de novas tecnologias, em que o aparato fiscalizatório pode ser em tempo real e com ferramentas eficientes.