Existem delitos que extrapolam a esfera individual das vítimas e causam prejuízos em maior escala. Vamos, por exemplo, nos reportar ao caso de subtração de veículos, que são destinados para alguns ferros-velhos que trabalham na ilegalidade, fornecendo peças. Isso faz com que esse estabelecimento tenha uma competição desleal com o comércio do ramo, uma vez que vai fornecer os itens num custo muito menor, obtendo lucro fácil de maneira escusa. E tudo isso sem deixar de lembrar que, não raro, negócios irregulares acabam por capitalizar associações criminosas para que elas tenham recursos para cometer novas ações, criando uma espiral delituosa.
Isso também ocorre em outros segmentos. A Polícia Civil de Canoas, nesta quarta-feira, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio (DRCP/Deic), prendeu em flagrante uma pessoa da área de telecomunicações por furto de cabos de telefonia e o responsável por realizar a receptação do material amealhado ilegalmente. Trata-se de uma sinalização de que este tipo de delito, ainda que não seja com a violência inerente ao roubo, não será tolerado, uma vez que há a falsa percepção de impunidade em ocorrências como esta. Cabe destacar que as consequências dessas condutas vão muito além do entorno onde elas ocorrem. Afetam os serviços essenciais, como emergências médicas; a infraestrutura local, prejudicando o varejo e as compras dos consumidores que precisam usar conexões digitais; a mobilidade urbana, com o mau funcionamento de semáforos; reduzem os investimentos das empresas, uma vez que elas têm de aportar para repor o que foi danificado ou perdido.
Esse quadro mostra por que estão certas as autoridades em coibir essas práticas danosas que atingem a todos, de uma forma ou de outra. Nesse sentido, elas precisam contar com uma ampla colaboração da sociedade com informações através dos canais disponibilizados para denúncias. Os meliantes devem ser responsabilizados por suas ações contrárias ao interesse da coletividade.