Uma das campanhas sob promoção neste setembro que ora se encerra é o Setembro Verde, que diz respeito aos transplantes de órgãos. Trata-se de um tema sensível envolvendo as famílias, que precisam tomar uma decisão difícil e generosa de autorizar a retirada de um órgão transplantável de um ente querido num momento de dor. Mesmo diante de tais adversidades compreensíveis, os números confirmam a índole solidária do nosso povo: no primeiro semestre do ano em curso, 14.352 mil transplantes foram viabilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional. O número já supera o montante de 2023, quando houve 13,9 mil durante o mesmo período. Os procedimentos mais recorrentes envolveram os rins, fígado, coração, pâncreas e pulmão, além da córnea e medula óssea, que são tecidos.
Não obstante esse total significativo, o panorama poderia ser ainda melhor. Conforme dados oficiais, de cada 14 pessoas que manifestam interesse em doar órgãos no Brasil, somente quatro confirmam essa manifestação inicial. Segundo o Ministério da Saúde, a recusa familiar acaba sendo um obstáculo por vezes intransponível para a destinação tão esperada a um paciente em situação de risco. Por conta disso, no Dia Nacional da Doação de Órgãos, que transcorreu nesta sexta-feira, a pasta lidera uma campanha com o tema “Doação de órgãos: precisamos falar sim”. A proposta busca acentuar a necessidade de diálogo nas famílias para que fique bem assentada a decisão de ser doador, desmitificando o estigma que recai sobre esse ato tão nobre.
O transplante é um gesto que une a dor da perda com a dor da espera, tendo o condão de mitigar as duas. Além disso, humaniza a coletividade e faz renascer a esperança de que possamos ser pessoas melhores uns com os outros, fortalecendo os laços de solidariedade. Setembro chega ao fim com sua campanha meritória, mas sua demanda pelo aumento de doadores vale pelo ano inteiro.