Golpes em meio à tragédia

Golpes em meio à tragédia

Correio do Povo

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Enquanto o Rio Grande do Sul segue em sua jornada de contar os prejuízos, de cuidar das pessoas, de salvar vidas, inclusive de animais, e de planejar uma difícil recuperação, pode-se perceber a força da generosidade dos gaúchos, dos brasileiros dos demais estados da federação, dos países vizinhos, como Argentina e Uruguai, e até mesmo de nações distantes, como os Estados Unidos e muitas outras. Todavia, apesar dessa onda de generosidade, sempre há aqueles que destoam dos objetivos nobres da maioria da coletividade.
Exemplo disso está nas diversas ocorrências registradas pelos órgãos responsáveis por apurações de infrações penais, como a Polícia Civil e o Ministério Público, que estão monitorando casos de golpes no Estado e no país envolvendo doações que estão sendo desviadas por golpistas valendo-se da boa-fé e da generosidade de pessoas bem-intencionadas que só querem ajudar as vítimas das inundações. Por meio dessas investigações, dezenas de perfis de falsários foram bloqueados em redes sociais por estarem divulgando Pix falsos para destinar dinheiro para suas contas particulares. Em São Paulo, um grupo formado por dois homens, uma mulher e um menor de idade foi preso, numa operação conjunta entre a PC gaúcha e a paulista, por estar divulgando contas falsas para receber valores em nome próprio como se fosse para ajudar o RS. Esse tipo de iniciativa criminosa não é incomum e merece a reprovação da sociedade, bem como a responsabilização dos culpados por suas condutas inescrupulosas.
Diante desse quadro em que uns poucos tentam tirar vantagens em face da infelicidade de muitos, urge que haja a adequação da legislação para tornar mais duras as penas para esses meliantes que se valem da dor alheia num momento de tanta adversidade. Nesse contexto, também se inserem os casos de saques a estabelecimentos comerciais e a residências dos desalojados pelas cheias. Ao se dispor a colaborar, é imprescindível que cada doador confira todas as informações do procedimento para saber se o beneficiado será realmente quem está necessitado. Para isso, garantir que recursos e itens sejam mediados por instituições sérias e responsáveis é fundamental para amenizar o flagelo dos atingidos por esta tragédia climática.


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DESDE 1º DE OUTUBRO 1895