A degradação ambiental tem cobrado um preço muito alto para a fauna e para a flora, sem falar nas consequências danosas que acabam por impor perdas de monta para os seres humanos. Nesse contexto, seguidamente ficamos sabendo de espécies de animais que, acossadas pela diminuição do seu hábitat natural, acabam por ser avistadas em áreas urbanas, famintas e correndo risco de vida pela ação culposa ou dolosa de pessoas envolvidas com essas situações.
Infelizmente, tais ocorrências têm se tornado comuns e, não raras vezes, ficamos sabendo de que onças, capivaras, tamanduás, aves e répteis foram encontrados em residências ou em vias públicas, configurando um resultado dos desmatamentos e dos crimes ambientais. Também bugios e gambás, entre outros animais, igualmente percorrem lugares perigosos para eles em busca de alimentos. O contrabando de animais silvestres também agrava enormemente esta realidade, pois, segundo estimativas, nove em cada 10 capturados não sobrevivem ao transporte, configurando uma perda sem precedentes para a diversidade. Eis aqui uma realidade que não pode ser negligenciada e a tarefa para reverter um panorama tão adverso constitui um grande desafio. Para tanto, há que se investir mais nos órgãos de fiscalização, aportar recursos em preservação de florestas e em áreas degradadas, equipar as forças policiais dos estados e da União, como a PRF, aprimorar a legislação, que ainda é muito branda, criar delegacias especializadas para apurar esses delitos, combater a desinformação que leva muitos moradores da cidade a praticar maus-tratos contra os bichos por medo ou ignorância. Há que se promoverem campanhas de esclarecimentos nas comunidades e nas escolas para informar protocolos que devem ser seguidos em ocasiões desse tipo, como acionar as patrulhas ambientais.
Esse ataque ao meio ambiente, no qual os animais são as vítimas mais recorrentes, precisa cessar. Não é possível que continuem tais abusos impunemente. A lei em vigor e os procedimentos atuais têm se demonstrado insuficientes para coibir as ações ilícitas que afrontam vidas que deveriam ser preservadas e protegidas. É hora de repensar condutas, legislação, estruturas e funcionamento dos aparatos que têm a atribuição de agir para impedir esses crimes.