Nesta quarta-feira, quem conferisse o nível do Guaíba pela Internet veria que a medição indicava 1,71 m, bem abaixo da cota de alerta, que é de 3,15 m, e da cota de inundação estipulada em 3,6 m. Sem dúvida, para quem viveu as cheias de maio na Capital e na Região Metropolitana, isso é um alívio diante do cenário desesperador daquele período. Tal tranquilidade, por certo, ocorre também com os moradores de outras cidades do Interior ao constatar que seus cursos de água igualmente se mantêm nos mesmos níveis. Depois da pandemia e das enchentes, a população demonstrou que está sempre em alerta e na expectativa de que as medidas que visem controlar situações emergenciais sejam tomadas em caráter de prevenção.
Essa estabilização atual das águas do Guaíba permite, ao poder público, à iniciativa privada e à sociedade civil, um período propício para que sejam feitos os estudos e as obras voltadas a evitar que a tragédia se repita. É por isso que a implementação de ações para desassorear sua área e afluentes, a recomposição das matas ciliares dos rios, a ativação eficiente das casas de bomba, a limpeza das vias públicas, a construção de diques e barreiras apropriadas constituem parte de um cronograma a ser desenvolvido com urgência. Para tanto, é relevante a conjunção de esforços entre União, estados e municípios para que haja todo um acúmulo técnico para realizar os estudos e os procedimentos pertinentes, bem como para incluir com prioridade nos orçamentos desses entes federados os recursos que servirão para equacionar pendências históricas que, nas áreas urbanas e rurais, continuam a estar na base de prejuízos para as comunidades, virando as enchentes o outro lado indesejável da estiagem, que também assola o Estado, ambas com perdas econômicas e de vidas.
Este período que aparenta ser um retorno à normalidade não pode ser de acomodação. Pelo contrário, pode e deve servir de um lapso temporal oportuno para que as soluções estratégicas para as inundações sejam tomadas enquanto ainda é tempo.