Editorial

Hora de projetos viáveis no enfrentamento das tragédias climáticas

O poder público precisa estar aberto a ideias inovadoras na prevenção climática.

Depois de todas as tragédias climáticas que vêm atingindo o país de norte a sul, envolvendo desde estiagens intensas a inundações desmedidas, com todas as graves consequências que costumam advir desses eventos de extrema gravidade, estudiosos e instituições vêm buscando respostas e formas de mitigar esses impactos. Diversos fóruns, inclusive com a participação de especialistas de outros países, vêm sendo realizados como parte desse processo de mapeamento dos locais mais propensos a novos sinistros e de construção de iniciativas que possam servir para enfrentar as diferentes reações da natureza por conta da degradação ambiental que lhe é imposta todos os dias.

Uma dessas ideias inovadoras diz respeito ao conceito de “cidades-esponja”, uma concepção do arquiteto e urbanista chinês Kongjian Yu. Trata-se de usar a própria natureza, por meio de parques e de áreas verdes, para absorver o excesso de chuva e mitigar enchentes, substituindo os tradicionais espaços concretados. Infelizmente, ele faleceu num acidente em setembro de 2025, no Mato Grosso do Sul (MS), e o projeto perdeu seu protagonista. Contudo, seu legado continua como um desafio a ser efetivado na prática. Outra tese interessante advém da 3ª edição do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), no último final de semana. Ela consiste em criar as condições para que as cidades possam incorporar florestas ao seu mapa urbano. O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso, um dos defensores da proposta, apresentou o conceito das fitópolis, que se inspira na organização das plantas para propor uma transformação radical na forma como são concebidas as urbes modernas, principalmente aquelas sujeitas a catástrofes naturais. É muito importante que essas inovações sirvam como subsídios para que o poder público incorpore às suas pautas as conclusões daqueles que se debruçam com propriedade sobre esses temas tão relevantes.

Como se sabe, só é viável fazer caber algo no dia a dia da coletividade se houver os investimentos compatíveis. Obras de enfrentamento a cheias e secas merecem prioridade. A prevenção não é feita apenas de medidas simples, mas de realizações por vezes tão complexas quanto inadiáveis. E é por isso que não há tempo a perder para implementá-las.