Editorial

Imunização a ser ampliada no país

Essas conquistas vêm sendo mitigadas no país por conta do recuo na demanda das famílias pela imunização, notadamente dos seus filhos menores, que ficam, com isso, expostos a doenças que já se supunham erradicadas, como é o caso do sarampo.

Já está bem assentada na sociedade a convicção de que as vacinas salvam vidas e representam um avanço na história da humanidade, propiciando bem-estar e prolongando a existência. Levaram-se séculos para que a ciência chegasse ao ponto de disponibilizá-las de forma massiva, enfrentando males que mataram milhões de pessoas em tempos idos, a exemplo da varíola e da poliomielite, entre outras. Para todas elas, o avanço das pesquisas foi encontrando soluções totais ou parciais que foram se mostrando eficazes e imprescindíveis.

Recentemente, tivemos a pandemia de Covid-19. Os cientistas, que sempre estiveram ao lado dos interesses maiores da coletividade, conseguiram acelerar etapas e produzir um antídoto que foi decisivo para evitar milhões de óbitos e travar a escalada de mortes no Brasil, que se reduziram drasticamente a partir do surgimento do imunizante, estancando em torno de um montante de 700 mil perdas no período em que tivemos essa chaga sem a contenção medicamentosa eficaz representada pela disponibilização das doses salvadoras. Todavia, todas essas conquistas vêm sendo mitigadas no país por conta do recuo na demanda das famílias pela imunização, notadamente dos seus filhos menores, que ficam, com isso, expostos a doenças que já se supunham erradicadas, como é o caso do sarampo. Essa preocupação está expressa no Anuário VacinaBR, produzido pelo Instituto Questão de Ciência (IQC), em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) e com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O documento ressalta que a vacinação tem melhorado no território nacional, mas ainda enfrenta desafios que indicam um ritmo menor desde 2015. Muito disso se deve à desinformação que precisa ser combatida com a promoção de campanhas massivas restabelecendo a verdade sobre a eficácia das doses.

É muito importante que as comunidades entendam que não podem ser omissas em relação aos riscos da negligência de não vacinar o público-alvo no calendário previsto. A aplicação é sem ônus. A essencialidade das vacinas para a saúde coletiva é uma verdade de alto embasamento científico.