Editorial

Infância exposta aos riscos climáticos

Essa ausência de salvaguarda também pode ser constatada em relação a questões climáticas. Um levantamento do NCPI indica que as crianças pequenas constituem o segmento mais exposto a riscos climáticos no território nacional.

A situação de exposição das crianças a situações adversas tem sido uma constante no país e no mundo. Basta lembrar que elas são as mais indefesas numa guerra ou que milhões delas enfrentam uma insegurança alimentar, além de estarem vulneráveis a doenças diversas por conta de uma assistência deficiente para lhes prover água potável e o acesso a itens básicos para sua sobrevivência e desenvolvimento, como educação, saúde, lazer e esporte, entre outros. O direito a uma infância e a uma adolescência protegida, como está insculpido nas constituições de vários países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), a exemplo do Brasil, nem sempre é algo respeitado no cotidiano das sociedades que deveriam respeitar esse primado.

Essa ausência de salvaguarda também pode ser constatada em relação a questões climáticas. De acordo com um levantamento realizado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), com base em subsídios retirados de estudos do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as crianças pequenas constituem o segmento mais exposto a riscos climáticos no território nacional. Os dados apontam para um incremento nessa faixa etária, passando de 1.779, em 2015, para 6.772, em 2023. Nesse contexto, pode-se constatar como o desenvolvimento de crianças com idade até seis anos sofre os impactos desse incremento à exposição em relação aos riscos causados por eventos naturais extremos advindos das mudanças climáticas. Esse percentual de infantes atingidos nesse patamar etário, o da primeira infância, corresponde, atualmente, a 18,1 milhões de pessoas no país, o que equivale a 8,9% da população.

Para Márcia Castro, uma das coordenadoras do trabalho de pesquisa, o compromisso para reverter esse quadro dramático é de todos e é global. É muito importante que o poder público, a sociedade civil e a iniciativa privada destinem recursos e implementem políticas socioeconômicas para equacionar essa questão inarredável na pauta do país, que é referência no mundo em termos de assistência aos mais desfavorecidos.