Os crimes que extrapolam as fronteiras nacionais são de difícil enfrentamento e não podem prescindir da colaboração dos diferentes governos, como no caso dos delitos de tráfico de drogas, de armas, de animais e de seres humanos. Aliás, o crime organizado faz jus ao nome e cria ramificações nos mais diversos países, demandando uma atuação conjunta das forças policiais e de seus respectivos serviços de inteligência. Nesse sentido, a Interpol, que é denominada por um acrônimo para Organização Internacional de Polícia Criminal, uma organização internacional que facilita a cooperação policial mundial para o controle do crime nas nações a ela integradas, vem realizando ações distintas para enfrentar essas práticas delituosas. A mais recente delas está ligada ao deslocamento forçado de pessoas, um comércio indigno e revoltante.
Nesta quarta-feira, a entidade anunciou ter realizado “a maior operação contra o tráfico de seres humanos”, como foi classificada a operação que deteve mais de 2.500 pessoas, com resgate de mais de 3.000 potenciais vítimas em todo o mundo. Denominada de Operação Liberterra II, ela ocorreu em 116 países e territórios entre 29 de setembro e 4 de outubro, conforme comunicado da organização. Não obstante as dificuldades para se ter um cálculo mais preciso, devido à própria natureza criminosa dos ilícitos, há estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) que sugerem que o tráfico de pessoas gera lucros que podem chegar à espantosa cifra de 150 bilhões de dólares por ano em todo o mundo.
Como se sabe, os grupos dedicados a tais atividades ilegais, costumam captar recursos para financiar novas ações contrárias às leis, aos direitos humanos e aos ecossistemas. Em face disso, é importante que as autoridades consigam agir de forma a asfixiar suas finanças e impedir a lavagem de dinheiro. O Brasil tem grande responsabilidade nessa repressão, a qual só aumentará diante da posse do brasileiro Valdecy Urquiza para conduzir a Interpol no próximo mandato.