É necessário que sejam empreendidos esforços para que as investigações em curso sobre supostos desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares sejam profundas e conclusivas. Não se desconhece que as emendas ao orçamento público ganharam um protagonismo inédito em nosso país, tanto pelo volume e valores crescentes como pelos embates políticos que chegam a colocar em confrontação até mesmo os próprios poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, visto que não faltam zonas cinzas de atribuições e prerrogativas. Além disso, e não menos importante, verbas alocadas pelas emendas passaram a representar aportes essenciais a municípios, escolas, casas de saúde e tantos outros setores eventualmente beneficiados pelo apoio de parlamentares individualmente ou em blocos. Em grande parte dos casos, ou até mesmo na maioria das vezes, os valores representam a continuação ou aquisição de serviços e equipamentos indispensáveis para o atendimento da população, em última instância a única beneficiária legítima dos recursos.
Há necessidade evidente de uma repactuação sólida da sociedade brasileira a respeito das tais emendas e para isso as autoridades devem empreender esforços na busca de soluções que preservem os valores republicanos e os interesses da população. Enquanto isso, não dá para adiar o estabelecimento de procedimentos que ampliem a necessária transparência, pois trata-se de dinheiro público.
É nesse sentido que as investigações precisam ser efetivas. A população tem o direito de conhecer em detalhes como seus impostos são destinados, distribuídos e usados. Pessoas públicas, instituições e beneficiários não podem ou não merecem ficar sob suspeita permanente. É indispensável punir celeremente os responsáveis pelos desvios e retirar a suspeita que recai sobre entidades e instituições sérias que estão a serviço da população. Que o compadrio ou os interesses meramente eleitoreiros não sejam os guias da condução dos negócios públicos.