O legado de alguns mandatos políticos supera as limitações impostas pela cronologia do tempo e tornam-se verdadeiras marcas para as próximas gerações. É bem improvável imaginar andar pela Porto Alegre dos dias atuais sem ter a grama de parques, como o Marinha e o Harmonia, ambos junto à Orla do Guaíba, um dos principais pontos turísticos. Ou ainda andar pelo Parque da Redenção sem ser envolvido pelas dezenas de bancas do Brique aos domingos. Quem sabe dirigir sem obras viárias, como as duas perimetrais, que permitem ligar áreas distintas da cidade com a devida rapidez. Os exemplos citados trazem uma assinatura em comum: as mãos do então prefeito Guilherme Socias Villela. Aos 90 anos, ele faleceu nesta quinta-feira, deixando um legado de grande gestor, debatedor e servindo de exemplo de bom administrador público, que além de administrar finanças, sabe a importância do bem estar social.
Assumindo o comando da prefeitura de Porto Alegre por oito anos, durante o regime militar, Socias Villela soube administrar mirando o bem comum. Também trouxe inovações que atualmente são consideradas como consolidadas, como o caso da pioneira secretaria municipal de Meio Ambiente, em uma época que o tema não atraía tanto a atenção do poder público. Soube equilibrar obras de impacto com a coloração verde dos parques e praças.
Com habilidade, conseguiu uma façanha não obtida pela maioria quando trata-se da política: obteve reconhecimento e respeito de colegas de diferentes campos ideológicos, inclusive de adversários diretos. Para além do campo político, deixou suas contribuições em outras frentes, como formando estudiosos da área de economia, como atuando como colunista. Junto com Pratini de Moraes e Mauro Knijnik integrou o primeiro grupo de uma pioneira editoria da área econômica no Correio do Povo, em uma época que o assunto não tinha conquistado ainda o reconhecimento e as páginas diárias do jornais como nos dias atuais.