Outubro está se avizinhando no horizonte e ele traz um evento marcante para os porto-alegrenses, a Feira do Livro de Porto Alegre, a maior feira literária a céu aberto da América Latina, na sua 71ª edição. Iniciando ao final do referido mês, ela se estenderá até a metade de novembro, configurando um ciclo virtuoso de leituras, de espetáculos diversos e de encontros entre leitores e escritores, inclusive sendo precedida de atividades nas escolas e nas comunidades, servindo de parâmetro para que outras cidades também realizem suas próprias feiras, a exemplo de Camaquã, Viamão e Sapucaia do Sul, entre outras tantas.
Em toda essa movimentação salutar, avulta a questão da leitura, que tem um papel fundamental na vida de qualquer pessoa. O ato de ler é um passaporte para a cidadania. É ele que abre o caminho para que se formem consciências críticas, para que se combata a desinformação, para que se opere o acesso ao mundo do trabalho e das ideias, de forma que cada um possa atuar no seu entorno na busca de contribuir para o bem comum. É ele que vai permitir o desenvolvimento de aptidões, o engajamento consciente nas grandes causas da sociedade, inclusive permitindo um melhor entendimento dos seus direitos no exercício da cidadania e também dos seus deveres, para que se possa construir uma coletividade com mais empatia e justiça social para todos. Esse domínio cognitivo é tão importante que vale a pena lembrar uma frase do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura: “A coisa mais importante que me aconteceu na vida foi aprender a ler”. Não é difícil intuir por quê.
Em meio à realização desses movimentos todos em torno do livro, não basta apenas mobilizar os já leitores, mas também urge combater o analfabetismo, que atinge em torno de dez milhões de brasileiros. Esse desafio precisa ser vencido e essas pessoas devem, finalmente, se apropriar da capacidade de ler e de refletir sobre como vivem e como desejam viver, atuando com convicção para mudar as suas vidas e o seu futuro.