Editorial

Mais segurança para as gestantes

Os participantes do referido fórum, bem como a delegação brasileira, entenderam que era urgente intensificar as ações que pudessem ser efetivas para evitar mortes maternas, especialmente durante o período anterior ao nascimento.

Nesta quarta-feira, 28 de maio, registra-se a passagem do Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna, promovido pelo Ministério da Saúde. A iniciativa tem como meta conscientizar acerca da importância de prevenir as mortes maternas e garantir a melhoria da assistência obstétrica. Foi implementada a partir de compromissos firmados por ocasião da realização do V Encontro Internacional Mulher e Saúde, realizado em 1987, em São José, na Costa Rica.

Os participantes do referido fórum, bem como a delegação brasileira, entenderam que era urgente intensificar as ações que pudessem ser efetivas para evitar mortes maternas, especialmente durante o período anterior ao nascimento, a fixação da imprescindibilidade do pré-natal e da assistência de qualidade às gestantes. No Brasil, a mortalidade materna atinge sobretudo as grávidas das classes mais desfavorecidas. Segundo números de 2022, o número de óbitos no parto foi de 57,7 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Nesse mesmo período, todas as capitais brasileiras apresentaram uma taxa de mortalidade infantil superior à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), chegando a indicadores semelhantes aos de países envolvidos em conflitos bélicos. Além disso, aproximadamente 90% das mortes maternas são consideradas como evitáveis, o que torna esse problema uma das grandes violações na esfera dos direitos humanos das mulheres.

Para enfrentar essas e outras questões, urge que os entes federados, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), efetivem medidas já aventadas que possam levar bem-estar e segurança para as mulheres no período gestacional. Entre elas, o pronto-atendimento, a liberação de mais exames, a melhoria da infraestrutura hospitalar e o emprego de métodos mais humanizados no parto. Os procedimentos previstos precisam estar disponíveis para todas as brasileiras a fim de que elas possam realizar o sonho da maternidade sem que isso implique correr riscos que muito bem poderiam ser neutralizados em nome da vida e da sua esperança de ser mãe.